Um laboratório interativo que reconstrói a teia alimentar de um estuário de Santa Catarina e mostra, em tempo real, como um poluente sobe os níveis tróficos até chegar à maricultura, à pesca e à mesa. Pensado para a aula de Biologia, roda offline em qualquer dispositivo.
Simulador trófico-ecotoxicológico
Estuário em corte
Concentração por organismo
Concentração × nível trófico
Tabela de dados
acessível · leitor de tela
| Organismo | Nível trófico | Papel | Concentração | Acima do limite? |
|---|
Comparador de cenários
Aula 3Catálogo de espécies
Fauna e flora representativas do estuário e do manguezal catarinense, com nomenclatura científica e papel ecológico. Toque numa ficha para abrir os detalhes.
Como o modelo funciona
O simulador estima a concentração de um poluente em cada organismo percorrendo a teia alimentar de baixo para cima, nível por nível. A regra é a mesma para todo consumidor:
Os produtores (fitoplâncton, folhiço do mangue) absorvem o poluente direto da água. Cada consumidor herda a concentração das presas e soma o que filtra da água.
Mercúrio × microplástico
O mercúrio (metilmercúrio) tem fator de amplificação maior que 1: biomagnifica e cresce a cada elo, ficando máximo nos predadores de topo e no ser humano — é o que produz a inclinação positiva no gráfico de concentração por nível trófico. O microplástico tem fator menor que 1 e entra sobretudo pela filtragem: acumula mais nos filtradores (ostra, mexilhão), sem biomagnificar — a nuvem de pontos fica achatada.
Fator de magnificação trófica (TMF)
A leitura Magnificação trófica resume, num único número, se o poluente sobe a teia. Ela é a inclinação da reta de log₁₀(concentração) contra o nível trófico, convertida em fator por nível (TMF = 10inclinação) — a mesma métrica usada em estudos de campo. TMF > 1 indica biomagnificação (caso do mercúrio, em torno de 1,6 por nível no modelo); TMF ≈ 1 ou menor indica que o poluente acumula sem biomagnificar (caso do microplástico, em torno de 0,9, concentrado nos filtradores). O ser humano fica de fora do cálculo por ser um endpoint de consumo, não um elo trófico fixo. Também ficam de fora os produtores que nenhum consumidor do modelo come (mangues, marisma e alface-do-mar): sem ligação com a teia, eles não dizem nada sobre a transferência entre elos. No gráfico de concentração × nível trófico, o botão escala log mostra exatamente a reta cuja inclinação dá o TMF.
Ancoragem nos dados
Os valores são relativos e ilustrativos, com fins didáticos — não são medições. Mas reproduzem padrões reais: o mercúrio sobe a cada nível trófico, como no estudo da Baía de Guanabara; ostras e mexilhões na faixa de 12–16 partículas por grama observada em bivalves do litoral (intensidades altas); e a linha de 0,5 mg/kg da legislação brasileira (RDC 42/2013) para mercúrio em pescado não predador. Por simplicidade, o app aplica essa linha a todos os pescados; para peixes predadores, a norma admite 1,0 mg/kg. A magnitude é didática: no modelo, o boto-cinza fica cerca de 7 vezes acima do fitoplâncton, bem menos que os ~36× medidos na Baía de Guanabara, porque cada consumidor come uma mistura de presas de níveis diferentes, o que dilui o ganho a cada elo.
Referências
- KEHRIG, H. A.; MALM, O.; PALERMO, E. F. A.; SEIXAS, T. G.; BAÊTA, A. P.; MOREIRA, I. Bioconcentração e biomagnificação de metilmercúrio na baía de Guanabara, Rio de Janeiro. Química Nova, v. 34, n. 3, p. 377–384, 2011.
- SANTORO, F. et al. Cultura oceânica para todos: kit pedagógico. Paris/Veneza: COI-UNESCO, 2020.
- ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. ONU, 2015.
- BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Ensino Médio. Brasília: MEC, 2018.