TEIA SOB RISCOlaboratório trófico do estuário catarinense
Cultura Oceânica · ODS 14 · Ensino Médio

Da raiz do mangue ao seu prato

"Por que um poluente lançado no mar hoje pode terminar concentrado no peixe que chega ao nosso prato?"

Um laboratório interativo que reconstrói a teia alimentar de um estuário de Santa Catarina e mostra, em tempo real, como um poluente sobe os níveis tróficos até chegar à maricultura, à pesca e à mesa. Pensado para a aula de Biologia, roda offline em qualquer dispositivo.

~36×
aumento do metilmercúrio do plâncton ao peixe de topo na Baía de Guanabara (Kehrig et al., 2011)
49%
dos peixes de Garopaba com microplásticos; também detectados em ostras das baías de Florianópolis
0,5 mg/kg
limite da legislação brasileira para mercúrio em pescado não predador
Corte transversal · estuário/manguezal SC

Simulador trófico-ecotoxicológico

Estuário em corte

cenário —
Arraste a cena para os lados para ver todo o estuário.
modelo trófico-ecotoxicológico v6.2 poluente: mercúriointensidade: 60% última liberação: — 31 táxons + detrito · estuário/manguezal SC
Guia de campo

Catálogo de espécies

Fauna e flora representativas do estuário e do manguezal catarinense, com nomenclatura científica e papel ecológico. Toque numa ficha para abrir os detalhes.

Documentação

Como o modelo funciona

O simulador estima a concentração de um poluente em cada organismo percorrendo a teia alimentar de baixo para cima, nível por nível. A regra é a mesma para todo consumidor:

C(organismo) = média[ C(presas) ] × fator de amplificação + ( água × filtragem direta )

Os produtores (fitoplâncton, folhiço do mangue) absorvem o poluente direto da água. Cada consumidor herda a concentração das presas e soma o que filtra da água.

Mercúrio × microplástico

O mercúrio (metilmercúrio) tem fator de amplificação maior que 1: biomagnifica e cresce a cada elo, ficando máximo nos predadores de topo e no ser humano — é o que produz a inclinação positiva no gráfico de concentração por nível trófico. O microplástico tem fator menor que 1 e entra sobretudo pela filtragem: acumula mais nos filtradores (ostra, mexilhão), sem biomagnificar — a nuvem de pontos fica achatada.

Fator de magnificação trófica (TMF)

A leitura Magnificação trófica resume, num único número, se o poluente sobe a teia. Ela é a inclinação da reta de log₁₀(concentração) contra o nível trófico, convertida em fator por nível (TMF = 10inclinação) — a mesma métrica usada em estudos de campo. TMF > 1 indica biomagnificação (caso do mercúrio, em torno de 1,6 por nível no modelo); TMF ≈ 1 ou menor indica que o poluente acumula sem biomagnificar (caso do microplástico, em torno de 0,9, concentrado nos filtradores). O ser humano fica de fora do cálculo por ser um endpoint de consumo, não um elo trófico fixo. Também ficam de fora os produtores que nenhum consumidor do modelo come (mangues, marisma e alface-do-mar): sem ligação com a teia, eles não dizem nada sobre a transferência entre elos. No gráfico de concentração × nível trófico, o botão escala log mostra exatamente a reta cuja inclinação dá o TMF.

Ancoragem nos dados

Os valores são relativos e ilustrativos, com fins didáticos — não são medições. Mas reproduzem padrões reais: o mercúrio sobe a cada nível trófico, como no estudo da Baía de Guanabara; ostras e mexilhões na faixa de 12–16 partículas por grama observada em bivalves do litoral (intensidades altas); e a linha de 0,5 mg/kg da legislação brasileira (RDC 42/2013) para mercúrio em pescado não predador. Por simplicidade, o app aplica essa linha a todos os pescados; para peixes predadores, a norma admite 1,0 mg/kg. A magnitude é didática: no modelo, o boto-cinza fica cerca de 7 vezes acima do fitoplâncton, bem menos que os ~36× medidos na Baía de Guanabara, porque cada consumidor come uma mistura de presas de níveis diferentes, o que dilui o ganho a cada elo.

Uso em sala: compare cenários (poluente, fonte, intensidade) e exporte os dados por organismo em CSV — produto previsto para a Aula 3 da Corrente de Aprendizagem.

Referências

  • KEHRIG, H. A.; MALM, O.; PALERMO, E. F. A.; SEIXAS, T. G.; BAÊTA, A. P.; MOREIRA, I. Bioconcentração e biomagnificação de metilmercúrio na baía de Guanabara, Rio de Janeiro. Química Nova, v. 34, n. 3, p. 377–384, 2011.
  • SANTORO, F. et al. Cultura oceânica para todos: kit pedagógico. Paris/Veneza: COI-UNESCO, 2020.
  • ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. ONU, 2015.
  • BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Ensino Médio. Brasília: MEC, 2018.